A associação Pedra Angular, promotora do Festival Terras sem Sombra, já tornou públicos os distinguidos na nona edição do Prémio Internacional homónimo.

Na categoria de Música, a distinção coube à espanhola Carmen Linares, uma voz incontornável no panorama contemporâneo do Flamenco. O português João de Almeida, com longa carreira nas áreas da arquitetura e pintura, foi o homenageado na categoria Património Cultural. A ação do Jardim Botânico de Cabo Verde em prol da conservação e educação ambiental, foi reconhecida na categoria Salvaguarda da Biodiversidade.

Os distinguidos estarão presentes a 30 de novembro (17h30) no Centro Cultural de Campo Maior, para receberem os diplomas de mérito e uma obra de arte, da autoria da artista plástica Tânia Gil. O ato solene, que conta com o apoio do Município de Campo Maior, será presidido pelo Duque de Lafões, D. Afonso de Bragança.

Do alinhamento da cerimónia, destaque para a atuação ao vivo de Carmen Linares, acompanhada à guitarra pelo seu filho Eduardo Espín Pacheco.

De acordo com António Ressano Garcia Lamas, do Conselho de Curadores do Festival, “o conceito do Prémio radica na ideia de juntar as três valências do Terras sem Sombra: a Música, o Património e a Biodiversidade, salientando contributos importantes nestas áreas. É uma forma de dar ao evento um encerramento agregador, conferindo-lhe uma condição não rotineira. O Prémio traz sempre alguma inovação. Este ano dá-se o alargamento da iniciativa a Cabo Verde, um país com o qual Portugal mantém grandes afinidades. Acresce a aproximação a Espanha, assim como a presença pioneira em concelhos do Alto Alentejo”.

Prémio reconhece três percursos exemplares  

Nascida em Linares, na Andaluzia, em 1951, Carmen Linares é considerada uma lenda do Flamenco, sendo a referência para toda uma geração de artistas espanhóis. Intérprete de renome internacional, tem atuado com orquestras sinfónicas por todo o mundo, sob a direção de maestros como Josep Pons, Frübeck de Burgos, Joan Cerveró ou Leo Brouwer.

Gravou álbuns de referência, entre os quais Antología de la Mujer el Cante – que reivindica o papel das mulheres na arte do flamenco –, Canciones Populares de Lorca e Raíces y Alas. Em 2019 editou Verso a Verso, um disco de homenagem aos poetas Miguel Hernández e Federico García Lorca.

Entre os prémios que obteve ao longo da carreira, salientam-se a Medalla de Plata de Andalucía (1998), dois Premios de la Música (2002 e 2011) e a Medalla de Oro de Bellas Artes (2006). Foi a única mulher do universo do Flamenco distinguida com o Premio Nacional de Música de Interpretación (2001).

João de Almeida nasceu em Lisboa, em 1927 no seio de uma influente família açoriana de vocação artística. Formou-se em Arquitetura, tendo assinado numerosos projetos ao longo da sua carreira, dos quais se destacam o da renovação do Museu Nacional de Arte Antiga, o das Residências Príncipe Real, no centro de Lisboa (Prémio Valmor 1990), e o da reabilitação e reconversão do Convento das Bernardas. Ainda enquanto estudante, participou na fundação do Movimento de Renovação da Arte Religiosa (MRAR), conjuntamente com Teotónio Pereira, Lagoa Henriques e Nuno Portas, entre outros.

Na Fundação Medeiros e Almeida, criada em 1973 por um tio seu com o objetivo de conservar e expor ao público as suas valiosas coleções de arte, tem desempenhado os cargos de administrador e consultor museográfico.

Em anos recentes, dedicou-se ao desenho e à pintura. Executa peças de grande formato, predominantemente a preto e branco, inspirando-se na paisagem da orla costeira portuguesa. Antes de se decidir pela Arquitetura, cursara Pintura, tendo sido discípulo de Leopoldo de Almeida e, mais tarde, de Lagoa Henriques.

Data de 1986 a criação do Jardim Botânico Grandvaux Barbosa, em Cabo Verde, no interior da Ilha de Santiago, devendo a sua designação ao investigador franco-português Luís Augusto Grandvaux Barbosa (1914-1983), autor de obras fundamentais sobre a vegetação do arquipélago.

O Jardim, que conta com mais de 60 espécies diferentes, nasceu da ideia de um cooperante português, o biólogo Gilberto Cardoso de Matos, que lecionou a disciplina de Biodiversidade na Escola Superior de Educação de Cabo Verde. Um jardim com a missão de obter e aclimatizar uma coleção de plantas endémicas e outras do território, para fins científicos e de visitação.

 

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